O grupo brasiliense Móveis Coloniais de Acaju lança quatro músicas, neste fim de semana, em três shows no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Mas uma delas é especial: foi criada no projeto Ctrl Alt Móveis desenvolvido pelos caras durante a Campus Party 2012 e conta com a participação dos campuseiros.
Nós demos um rolê no encontro dos nerds e conversamos com o André Gonzáles, vocalista da banda para saber melhor como é a relação deles com a internet. Confira!
Como surgiu a idéia de criar o projeto Ctrl Alt Móveis?
André Gonzáles – O projeto é um trabalho de diálogo e foi criado com a idéia de encontrar novos parceiros para a produção. QuerÃamos encontrar o ponto de intersecção da música com a vivência de pessoas que trabalham com robótica, mÃdias sociais e como podemos gerar novos conteúdos com essa interação. É quase como um manifesto em torno de inovação, criatividade e diálogo.
E como foi feita essa música nova?
Pegamos pessoas que não conheciam nada sobre música e pedimos para eles recitarem trechos de uma letra que escrevemos. Fizemos também uma oficina onde captamos vários sons de pessoas, palestrantes e de inventos. Esse produto representa um start de uma vontade maior de dialogar com novos pares e pessoas que não estão relacionadas com nosso mundo mas dão uma nova visão de criatividade e inovação. Na nossa Fan Page no facebook nós lançamos vários vÃdeos com entrevistas e conversas que fizemos durante o evento.
A internet passa um momento de polêmica com o SOPA, PIPA e o ACTA. Como vocês vêem a maneira de produzir música para a internet?
A gente enxerga a internet como um meio livre de comunicação e intercâmbio.  Estamos sempre atrás de novas maneiras de dividir música e desde 1999 botamos nossas músicas e discos de graça na internet.
Nós encontramos novos meios rentáveis de lidar com o meio, como nosso último disco que saiu pelo Album Virtual e tinha um patrocinador que pagava pelo anúncio na página de download gratuito. Também fizemos duas ações, uma delas com a gravação do clipe O Tempo com transmissão ao vivo patrocinada, onde as pessoas que tuitavam uma hastag especial tinha o nome incluÃdo num mural feito pelo coletivo Kollors Kingz.
Não é difÃcil encontrar pessoas que sabem que podem ganhar visibilidade nesse novos jeitos de se investir em música. No final, o SOPA e o PIPA não é uma discussão que está em torno do direito autoral, mas está em torno de um indústria que lucrava muito em cima de preceitos antigos. É uma mentalidade velha de pessoas que não estão lidando com tecnologia e com a própria cultura digital e não tem noção do que estamos vivendo agora.
Aqui vai o clipe de O Tempo, para você ir aquecendo para o show:

